Teatro União de Triunfo, RS

Teatro União de Triunfo, RS
Ano 2003 - Antes da Restauração

CIDADE DE TRIUNFO E SEU PEQUENO TEATRO

Ano de 2003, Reforma e Restauro do Teatro União
Agradecimentos:
Empresa Petroflex, III Polo Petroquímico - Engenheiro Vomar Sergio Ramos de Oliveira,
Prefeitura Municipal de Triunfo - José Ezequiel Meirelles de Souza e Secretaria de Turismo, Cultura e Desporto - Silvia Helena Volkweis
IPHAN - Arquiteto Luiz Antonio Bolcato Custódio,
Arquiteto Paulo Cesa Filho - Consultor, especialista em Restauro
Maristane Teresinha Pasa Figueró, jornalista, artista, escritora, política e incansável amiga.




segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pesquisa Histórica da Colonização no RS

O início

A colonização do Brasil teve seu inicio em 1532, com a expedição de Martin Affonso de Souza, que fundou a primeira vila no Brasil, São Vicente vindo a constituir sede de próspera capitania.

A partir de 1532 portugueses foram se estabelecendo ao longo do litoral brasileiro desde a foz do Amazonas até o estuário do Rio da Prata.

A colonização das novas terras descobertas por PEDRO ÁLVARES CABRAL foi se processando por surtos, determinados por levas de imigrantes mais ou menos numerosas e aportadas em épocas as mais diversas.

A emigração de casais açorianos para o Brasil começou no Século XVII, quando 50 famílias constituídas por 219 pessoas embarcaram, no dia 29 de março de 1677, no barco Jesus, Maria e José em Horta, Ilha de Faial, com destino ao Grão Pará, atual Estado do Pará.

Em meados do Século XVII começou a se realizar, por determinação das autoridades de Lisboa, uma bem sucedida experiência de colonização do tipo moderno mediante a fixação de famílias ao solo. Essa imigração em massa visava defender e povoar os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pois a Coroa estava convencida que a melhor maneira de garantir a posse da terra era povoá-la. Assim, imigraram para o Brasil a partir de 1732 milhares de colonos ilhéus oriundos do arquipélago dos Açores.

Em 31 de agosto de 1746, o rei DOM JOÃO V de Portugal comunicou aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa oferecia uma série de vantagens aos casais ilhéus que decidissem emigrar para o litoral do sul do Brasil. Nos termos de um edital fartamente distribuído pelas nove ilhas do arquipélago.

Em 1747, FELICIANO VELHO OLDENBOURG, o fundador da companhia de comércio denominada Companhia da Ásia Portuguesa, fechou um contrato com o governo português para transportar, para o atual Estado de Santa Catarina, as cerca de 4.000 famílias açorianas que atenderam ao edital de D. JOÃO V. A maioria delas emigrou porque a miséria grassava no Arquipélago, resultado do fraco desenvolvimento das ilhas na produção do trigo e do pastel, uma planta tintureira, outrora as suas maiores riquezas. A isso se acresceu o excesso demográfico, que atingia níveis intoleráveis nas ilhas maiores.

Deve-se a essa gente o povoamento das regiões litorâneas do sul do Brasil, especialmente dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ainda hoje, nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, há sinais evidentes da presença açoriana, não só na arquitetura mas também nos usos, costumes e tradições, como as "Reisadas" e as "Festas do Espírito Santo", à boa maneira daquelas ilhas. A cidade de Porto Alegre-RS é um exemplo dos bons resultados da colonização açoriana. O local onde se encontra Porto Alegre era constituído por terras de sesmaria obtidas pelo imigrante madeirense Jerônimo de Ornelas Menezes e Vasconcelos em 1740. Denominaram-se inicialmente Porto Dornelles. Através da solicitação do governo do atual estado do Rio Grande do Sul, os portugueses resolveram firmar seu domínio naquele estado enviando levas de colonizadores açorianos que lá desembarcaram em fins de janeiro de 1752. Foram 60 casais, com mais de 300 pessoas, que vieram juntar-se aos povoadores iniciais e transformaram o local uma cidade que foi chamada oficialmente de Porto de São Francisco dos Casais em homenagem a esses imigrantes. O sucesso desse esforço de povoamento assegurou ao Brasil a integração das terras situadas mais ao sul do Estado de São Paulo, complementando a ação das Entradas e Bandeiras que, acompanhando os afluentes da margem esquerda do Rio Paraná, já se haviam entranhado e apossado de quase toda a bacia desse grande rio.

Deve-se destacar que os açorianos aparecem, na história do Brasil, em diversas regiões. Além dos que se estabeleceram em Grão Pará e Santa Catarina, outros se espalharam pelo Brasil. As principais atividades exercidas variavam de acordo com a região onde se fixaram:

Agricultura: Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Caça a baleia: Pará e Paraíba

Extração Mineral: Minas Gerais

Pecuária: São Paulo e São Vicente

Pesca: Santa Catarina

Produção de Açúcar: Bahia e Pernambuco

Produção de Borracha: Amazonas

Serviços: Rio de Janeiro

Atualmente, vivem no Brasil mais de 1 milhão e 200 mil portugueses, grande parte constituída por açorianos e seus descendentes.

Fonte: Baseado em texto de José Pinheiro Machado de Assis Brasil

domingo, 11 de abril de 2010

Minhas Memórias

Com muitas horas de pesquisa e contando com a colaboração de antigos moradores da cidade de Triunfo, foi possível realizar o sonho de aprovar o projeto do Teatro com o IPHAN e dar o início as obras. Um grande desafio já que nosso objetivo era preservar o maior numero de elementos históricos do prédio, resgatando informações através de pesquisa científica e tecnológica. Cada etapa era uma surpresa, as alvenarias que mostravam seus rebocos soltos e em deterioração foram minuciosamente prospectadas, o teor de umidade da edificação foi realizada em diferentes locais das paredes investigadas pela Fundação de Ciência e Tecnologia - CIENTEC com a utilização de sondagem rotativa. O reboco analisado, refeito com o mesmo traço do original.
A cobertura com sua estrutura em estado de decomposição , substituída por estrutura metálica, recebeu um subtelhado asfáltico sob o telhamento cerâmico para evitar futuras infiltrações. As telhas cuidadosamente lavadas e restauradas. Os rebocos internos totalmente retirados mostrando na alvenaria a história da edificação. Seus tijolos assentados com barro, ora pedra cangicadas encaixada, mostra as técnicas construtivas da época. As vergas das portas em grandes vigas de madeira, esculpida na porta em arco, cortadas a machado, nas portas de vão retos mostram a opção quando não se tem o concreto.
O piso, antes sobre vigas de madeira e nivelado, substituído por contrapiso de concreto impermeável tendo o cuidado de assentar este piso sobre 10 cm de brita para contenção do lençol freático. Foi construído um dreno interno e externo ao longo das paredes para evitar infiltrações por capilaridade. O piso escavado dando uma inclinação para o lado do palco e sobre o contrapiso de concreto fixado um piso em madeira de lei encerado conforme original. O palco rebaixado em 60 cm executado em concreto, para melhor visibilidade da platéia. Sobre o contrapiso foi executado um estrado de madeira macia apoiados em amortecedores de borracha para maior conforto dos profissionais que ali irão se apresentar.
Foram executados os mezaninos em concreto, com um espaço específico para iluminação e som.

Os trabalhos realizados de uma forma cautelosa e cuidadosa gerando grande emoção àqueles que visitavam a obra. Quando se fala em restauro a equipe montada pela Petroflex é um exemplo, palavra do Arquiteto Luiz Antonio Custódio do IPHAN, que visitou a obra dia 17 de dezembro 2003, aprovando totalmente as soluções encontradas pelos profissionais responsáveis para esse desafio, o restauro e reforma da edificação deste teatro que data de 1848.

Arquiteto Sandra Richetti